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Gestão de Saúde

A inflação médica fechou 2025 em 11%, quase 2,5x o IPCA. O que o corretor faz com esse número na renovação?

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A inflação médica fechou 2025 em 11%, quase 2,5x o IPCA. O que o corretor faz com esse número na renovação?

O custo da saúde não está desacelerando, está acelerando.

Enquanto o IPCA fechou 2025 em 4,3%, a inflação médico-hospitalar (a VCMH) chegou a 11,0%. Quase duas vezes e meia a inflação geral do país. O dado é do Relatório da VCMH do IESS (Instituto de Estudos de Saúde Suplementar), base dezembro/2025.

E não é um ponto fora da curva. Segundo o IESS, é uma trajetória de aceleração: a VCMH saiu de 5,2% em 2023 para 8,1% em 2024 e 11,0% em 2025, dois anos seguidos de alta, cada um mais forte que o anterior. O custo da assistência vem subindo, ano após ano, muito acima de qualquer índice geral.

O relatório mede o que já aconteceu, não o que vem. Mas a direção é difícil de ignorar: a pressão que sustenta essa alta, o custo por evento em elevação, puxado pelas internações, não deu sinais de trégua. Se a trajetória se mantiver, a inflação médica de 2026 deve seguir no mesmo território de dois dígitos. E é sobre esse pano de fundo que cada renovação vai ser negociada.

Para o corretor, esse número é a base da conversa de renovação, mas também é onde mora uma armadilha. Porque o reajuste que chega na carta do cliente não é o VCMH. É o VCMH mais outra coisa. E confundir os dois é a diferença entre aceitar o número que a operadora apresentou e negociar o que dá para negociar.

“Mas esse índice é de plano individual” e é justamente aí que está o ponto.

Se você trabalha com plano empresarial, a primeira coisa a esclarecer é: sim, a VCMH do IESS é calculada apenas sobre planos individuais. O próprio IESS destaca isso. E, longe de invalidar o número, é isso que o torna importante de entender.

Para o plano individual existe um índice de referência e um teto de reajuste regulado pela ANS. Para o coletivo empresarial não existe índice único: cada carteira tem o seu próprio reajuste, porque ele é negociado com base no uso daquele grupo específico.

Ou seja, a VCMH do IESS serve para uma coisa: mostrar o tamanho e a direção da inflação médica que pressiona todos os planos, individuais e coletivos. O que ela não faz (e nenhum índice de mercado faz), é dizer qual será o reajuste do seu cliente empresarial. Esse número não está em nenhuma tabela. Ele está na carteira.

E é exatamente por isso que a leitura da carteira é o trabalho do corretor.

O que o reajuste realmente é: duas partes, não uma

Todo reajuste de plano coletivo tem duas partes somadas: Reajuste total = Reajuste financeiro + Reajuste técnico.

A parte financeira é o VCMH (a Variação de Custos Médico-Hospitalares). É a “inflação médica” do setor: a variação do custo da assistência por beneficiário. Pelo conceito do próprio IESS, ela é o resultado da frequência de utilização multiplicada pelo custo médio de cada evento, somados os efeitos cruzados. É por isso que ela quase sempre corre acima da inflação de preços: quando frequência e custo sobem juntos, o efeito é maior que a soma dos dois. Essa parte é do mercado inteiro; ela quase não se discute em uma renovação, porque não depende do cliente específico.

A parte técnica é o desvio de uso da própria carteira do cliente. É o quanto aquela empresa usou o plano acima (ou abaixo) do que o prêmio pago comportava. Essa parte não é do mercado, é do cliente. E é justamente por isso que ela é a parte que dá para trabalhar.

Quando a operadora abre a renovação com um número alto, esse número quase sempre carrega um prêmio de risco técnico atribuído à carteira. A pergunta que o corretor precisa fazer não é “esse reajuste é justo?”. É: “quanto desse número é inflação médica inevitável e quanto é risco técnico que eu consigo explicar com dado?”

De onde vem a pressão: o custo por evento, não o número de eventos

O relatório do IESS traz uma pista que muda a forma de negociar. A partir de 2023, a frequência de utilização parou de crescer e em vários grupos recuou. Mesmo assim, a despesa continuou subindo. Por quê? Porque o custo médio de cada evento seguiu em alta.

Traduzindo: não é que as pessoas estão usando mais o plano. É que cada uso ficou mais caro.

E há um grupo que puxa esse movimento acima de todos: as internações. Em 2025, elas subiram 12,5% sendo a maior variação entre todos os grupos, e concentram sozinhas cerca de 66% de toda a despesa assistencial. Terapias vieram logo atrás (10,4%). Exames, ao contrário, quase não variaram (3,8%).

Isso tem uma consequência prática direta na renovação: poucos eventos de alto custo explicam a maior parte do gasto de uma carteira. Uma internação evitada, um caso de alto custo bem gerido, pesa muito mais do que dezenas de consultas. É aí que a leitura da carteira deixa de ser estatística e vira argumento.

A leitura técnica na prática: dois casos reais.

A teoria só vale se vira número na renovação. Dois exemplos reais de carteiras, operadoras e empresas anonimizadas:

Caso 1: de 68,7% para 14%. Uma operadora abriu a renovação pedindo 68,7% de reajuste, atribuindo a carteira a um risco elevado. O corretor levou à mesa uma análise técnica da carteira, mostrando o que no uso tinha sido pontual e não sustentava risco recorrente. O reajuste fechou em 14%, praticamente só a parte financeira, o custo inevitável do mercado. A diferença entre os dois números não foi negociação de bazar; foi o desvio técnico sendo devolvido à operadora com dado na mão.

Caso 2: 39,13% que não se sustentava. Em outra carteira, a operadora pediu 39,13% alegando “muitos crônicos”. A análise mostrou que os casos que puxavam o custo eram pontuais e não um padrão estrutural da carteira. Resultado: o reajuste voltou para o patamar financeiro, sem o prêmio de risco que a operadora tinha tentado embutir.

O que os dois casos têm em comum não é sorte. É que o corretor chegou à renovação com a composição do número desmontada, sabendo separar o que era inflação médica inevitável do que era desvio técnico, e sabendo provar a diferença.

O driver que sobe em silêncio: saúde mental

Há um fator estrutural que merece atenção separada, porque cresce sem aparecer no número de face até que já é caro: a saúde mental.

Pela base de clientes da Suridata (cerca de 5 milhões de beneficiários), os afastamentos por saúde mental duram, em média, o dobro do tempo de outras condições clínicas. E a participação de diagnósticos de saúde mental nos afastamentos quintuplicou entre 2022–2024 e 2025.

Há uma nuance importante, e vale registrar para não simplificar: nem tudo dentro de “saúde mental” cresce no mesmo ritmo. O que não muda é o custo do que chega tarde, o caso que só aparece quando já está avançado é mais longo e mais caro de tratar. Esse é o custo que uma carteira acumula em silêncio e que a NR-1, em vigor a partir de maio/2026, coloca no radar das empresas.

Para o corretor, é oportunidade de leitura antecipada: enxergar o custo oculto na carteira do cliente antes que ele exploda no sinistro — e chegar à renovação como quem já viu o problema chegando.

Onde o corretor entra e onde a Suridata entra.

Nada disso funciona sem dado. O VCMH de 11% explica por que a pressão existe, mas ele é do mercado inteiro. O que decide a renovação de um cliente específico é a leitura da carteira dele: o que foi custo inevitável e o que foi desvio técnico, caso a caso.

Sem esse dado, o corretor recebe o número e tenta negociar no discurso. Com ele, o corretor chega com a composição do reajuste desmontada e a diferença provada, que foi exatamente o que virou 68,7% em 14%.

A Suridata existe para ser essa inteligência do lado do corretor: o benchmark da carteira contra a base de mercado, a análise clínica que explica os padrões de uso, e o argumento técnico pronto para a mesa de renovação. O herói da renovação é o corretor. A Suridata é o ativo estratégico que ele leva.

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