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Institucional

CONAU 2026: o que o cooperativismo em saúde leva para casa

•7 min de leitura

Quatro dias, uma pergunta

De 6 a 9 de outubro, Porto Alegre recebeu a 55ª Convenção Nacional Unimed, o CONAU 2026. Mais de 60 empresas no Espaço de Negócios, dirigentes de cooperativas de todo o país e uma programação que foi de neurociência a cenário macroeconômico, passando por inteligência artificial, conformidade legal e o futuro do trabalho médico.

A Suridata esteve lá, no estande EN23 e no lounge que montamos com a DPOnet. Mas este texto não é sobre o estande. É sobre a pergunta que atravessou todos os painéis, mesmo quando ninguém a fez em voz alta: como uma cooperativa decide bem num sistema em que o custo sobe mais rápido do que a receita?

A própria organização deu a pista antes de o evento começar. Omar Abujamra Junior, presidente da Unimed do Brasil, resumiu assim o espírito da convenção: "O cooperativismo médico nos dá uma forma própria de responder às transformações da saúde." Um sistema com 337 cooperativas, presente em nove de cada dez municípios e com mais de 20 milhões de beneficiários, que já compartilha mais de 100 milhões de registros de saúde entre as singulares.

Ou seja: o dado existe, e em escala. A pergunta que a programação colocou, tema a tema, é o que cada cooperativa faz com ele. Abaixo, a nossa leitura de cada eixo para quem cuida de uma carteira.

Cooperação: o dado como bem comum

A abertura da quarta-feira juntou o neurocientista Alysson Muotri e o climatologista Carlos Nobre no painel "A evolução exige cooperação: ciência, clima e inteligência diante de um mundo em redefinição". A proposta, segundo a organização, era ligar emergência climática, evolução das inteligências humana e artificial e humanização do cuidado. O pano de fundo não é abstrato: a Organização Mundial da Saúde estima danos à saúde ligados ao clima entre US$ 2 e 4 bilhões por ano até 2030, e avisa que as regiões com infraestrutura mais frágil serão as menos preparadas.

Para o cooperativismo em saúde, isso tem um endereço muito concreto: a mesa de reajuste. Hoje, operadora, corretora e empresa cliente costumam chegar a ela com três versões da mesma carteira. Cada um com sua planilha, cada um com sua leitura, e a negociação vira queda de braço. Quando os três olham a mesma utilização, contrato a contrato, a conversa muda de "quem cede" para "o que a carteira mostra". Cooperar, nesse caso, é abrir o dado antes de abrir a proposta.

IA na medicina: a fronteira chegou. E a carteira?

Rafael Grossmann, na quarta, e John Nosta, na quinta, trouxeram a inteligência artificial generativa e a medicina preditiva para a plenária. São painéis que empolgam e, ao mesmo tempo, deixam uma inquietação: enquanto o consultório ganha IA, a gestão da carteira de muitas cooperativas ainda roda em planilha e memória. O próprio sistema mostra que dá para ser diferente: a biometria facial da Plataforma Sinergia, segundo a Unimed do Brasil, protege 7,6 milhões de vidas e economizou mais de R$ 15 milhões em 2025. Tecnologia simples, aplicada no lugar certo, com resultado medido.

A boa notícia é que a parte mais valiosa da IA para uma operadora não é a mais sofisticada. É a mais básica: reclassificar milhares de códigos de procedimento todo mês sem erro, identificar gestantes, crônicos e maiores usuários antes de virarem custo, comparar prestadores com o benchmark da ANS. Nada disso exige um laboratório de IA dentro da cooperativa. Exige dado organizado e alguém que transforme o dado em decisão. O resto a tecnologia já faz.

Conformidade e governança: dado bom é dado protegido

Ronaldo Lemos tratou de ética, regulação e proteção de dados na quarta; Heloisa Bedick fechou o evento na sexta com gestão de riscos e governança. Os dois painéis conversam entre si e com uma frase do presidente da Unimed do Brasil na apresentação da convenção: "a discussão sobre inteligência artificial vem acompanhada de questões éticas e de proteção de dados". Quanto mais a cooperativa usa dados de saúde para decidir, mais ela precisa provar que trata esses dados direito.

Não é por acaso que dividimos o lounge com a DPOnet. Governança de dados e inteligência sobre a carteira são duas metades do mesmo problema: níveis de acesso por perfil, rastreabilidade de quem viu o quê, anonimização quando a análise não precisa do nome. Uma cooperativa que resolve isso ganha duas vezes: decide melhor e dorme tranquila.

Trabalho médico e eficiência: o que o prestador vê e o que a carteira mostra
Eugênio Mussak e Milton de Arruda Martins discutiram a formação e o trabalho médico no Brasil. Na quinta, o painel "Eficiência que gera valor" apresentou soluções do próprio sistema, e a convenção foi o palco previsto para o lançamento do Sinergia Hospitais, a sexta healthtech própria da Unimed do Brasil. Entre o médico que atende e a plataforma que opera o hospital, há um tema que raramente aparece com esse nome: a relação entre a cooperativa e seus prestadores é uma relação de dados.

Um exemplo que ouvimos mais de uma vez no estande: a taxa de conversão de pronto atendimento em internação varia muito entre prestadores da mesma rede. Quem mede isso consegue renegociar com quem está fora da curva, reconhecer quem está dentro e revisar protocolos onde a internação era evitável. Quem não mede paga a diferença na fatura e chama de sinistralidade. Eficiência que gera valor, no fim, é isso: transformar uma conversa difícil com o prestador numa conversa sobre números que os dois reconhecem.

2027 em perspectiva: reajuste não é chute

Carla Beni, economista e professora da FGV, trouxe os cenários econômicos para 2027. Para quem gere carteira, o recado de qualquer cenário é o mesmo: o reajuste de 2027 já está sendo negociado hoje, na forma como a carteira de 2026 está sendo acompanhada.

A lição prática: reajuste justo não se discute, se demonstra. A cooperativa que chega à mesa com a utilização real, contrato a contrato, com benchmark da ANS e com o histórico dos maiores usuários, não precisa convencer ninguém. Foi assim que a Unimed Botucatu, primeira operadora a usar a Suridata de forma completa, chegou a R$ 4,3 milhões economizados em dois anos, sem ampliar a equipe de dados.

Terra, água, ar e fogo: o lounge de charutos

A convenção escolheu os quatro elementos como fio condutor, e isso se sentia antes de qualquer palestra. Já na abertura, a execução do hino nacional avisava que não seria um evento convencional. Terra, água, ar e fogo apareciam na cenografia, na identidade visual e no ritmo dos dias, como um convite para sair do piloto automático.

Foi nesse clima que a Suridata e a DPOnet abriram o lounge de charutos. Quem entrava deixava para trás o burburinho do corredor e encontrava outro ritmo: poltronas de couro, madeira escura, luz âmbar baixa, o aroma terroso do tabaco curado misturado às notas da harmonização. Uma sommelier conduzia cada sessão, do corte à acendida, explicando origem, força e combinação, e a fumaça que subia devagar dava o tempo da conversa. Fogo e ar, no fim das contas, eram o tema do evento e o roteiro do lounge.

O formato produziu exatamente o que esperávamos: conversas de alto nível, sem pressa e sem roteiro. Presidentes e diretores de cooperativas sentados lado a lado com pares de outras regiões, trocando experiências sobre carteira, rede, reajuste e governança com a franqueza que só aparece quando ninguém está olhando o relógio. Dirigentes que no corredor se cumprimentariam em dez segundos passaram mais de uma hora comparando dilemas, e saiu dali mais clareza do que de muita reunião formal. A sessão reservada aos dirigentes da Intrafederativa Central Paulista, na tarde da quarta-feira, abriu a programação do lounge e deu o tom das que vieram depois.

O lounge foi uma aposta que deu muito certo. Em vez de mais um balcão de folhetos, um lugar para pensar junto. Porque a conversa que importa no CONAU não cabe em cinco minutos de pé, e um bom charuto, com a companhia certa, dura o tempo exato de uma boa decisão.

O que levamos para casa

O CONAU 2026 terminou com uma palestra sobre a arte da disrupção. Para o cooperativismo em saúde, a disrupção mais útil talvez seja a menos espetacular: parar de decidir reajuste, rede e prevenção no achismo. Cooperação, IA, governança, trabalho médico e cenário 2027 apontam para o mesmo lugar, e esse lugar é a carteira olhada com clareza, todo mês, pelos três lados da mesa.

Se a sua cooperativa quer saber o que a carteira está dizendo, a conversa começa com 30 minutos e os seus dados de utilização. Fale com a gente.

Obrigado, Porto Alegre. Nos vemos no próximo CONAU.

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Demonstração gratuita, sem compromisso. Nossa equipe mostra o que a Suridata entregaria para a sua carteira.