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Campanhas de Saúde

Maio Roxo: Doenças inflamatórias intestinais

5 min de leitura

As Doenças Inflamatórias Intestinais (DII) afetam mais de cinco milhões de pessoas no mundo e têm apresentado um aumento progressivo de novos casos no Brasil.

Mas afinal, o que significa esse diagnóstico e como é possível viver bem com a doença? Neste artigo, vamos responder às principais dúvidas sobre o tema, abordando sintomas, diagnóstico, tratamentos e os direitos dos pacientes.

O que são as Doenças Inflamatórias Intestinais (DII)?

As DII são um espectro de doenças imunomediadas crônicas que provocam inflamação no trato gastrointestinal. A causa exata ainda é desconhecida, mas sabe-se que o seu desenvolvimento está ligado a uma combinação de fatores genéticos, ambientais e desregulação do sistema imunológico, além de alterações na flora intestinal (disbiose).

Embora existam várias formas, as duas principais variantes são a Doença de Crohn e a Retocolite Ulcerativa.

Qual a diferença entre Doença de Crohn e Retocolite Ulcerativa?

Doença de Crohn (DC): pode inflamar qualquer parte do trato gastrointestinal, da boca ao ânus, de forma descontínua. A inflamação é "transmural", ou seja, pode atingir todas as camadas da parede intestinal, podendo gerar complicações como estenoses (estreitamentos) e fístulas (comunicações anormais entre órgãos).

Retocolite Ulcerativa (RCU): acomete exclusivamente a mucosa (camada mais superficial) do intestino grosso (cólon) e o reto. A inflamação ocorre de forma contínua a partir do reto.

Principais sintomas e sinais de alerta

Os sintomas das DII costumam aparecer na juventude, geralmente entre os 14 e 30 anos, mas podem surgir em qualquer idade. É fundamental procurar um médico caso você apresente:

  • Dor abdominal e cólicas persistentes.
  • Diarreia crônica, muitas vezes acompanhada de muco, pus ou sangue nas fezes.
  • Perda de peso não intencional e desnutrição.Febre, fadiga e cansaço frequentes.

Atenção às Manifestações Extraintestinais: as DII são doenças sistêmicas, o que significa que podem afetar outras partes do corpo além do intestino. Cerca de um terço dos pacientes apresenta inflamações nas articulações (artrite), na pele (como pioderma gangrenoso), nos olhos (uveíte e olhos vermelhos) e no fígado.

Como o diagnóstico é feito?

Não existe um único teste para confirmar a doença. O diagnóstico precoce é essencial para aproveitar a "janela de oportunidade terapêutica", tratando a inflamação antes que cause danos permanentes ao intestino.

O médico gastroenterologista geralmente solicita um conjunto de exames:

  • Exames de Fezes: Como a pesquisa de sangue oculto e a Calprotectina fecal, um marcador inflamatório muito importante para diagnóstico e acompanhamento.
  • Exames de Sangue: Para detectar anemia, deficiências nutricionais e marcadores de inflamação e anticorpos (como p-ANCA e ASCA).Exames Endoscópicos: Colonoscopia e endoscopia digestiva alta, com a realização de biópsias (retirada de fragmentos para análise)
  • .Exames de Imagem: Tomografia computadorizada e ressonância magnética.

Tratamentos disponíveis e mudanças de hábitos

Embora as DII ainda não tenham cura definitiva, os avanços na medicina oferecem tratamentos modernos que permitem atingir a remissão clínica (ausência de sintomas e cicatrização do intestino) e uma excelente qualidade de vida.

O Papel dos medicamentos

O tratamento medicamentoso é individualizado e pode incluir:

  • Aminossalicilatos e corticosteroides: para controle da inflamação (especialmente em crises agudas).
  • Imunossupressores e terapias biológicas (imunobiológicos): medicamentos modernos que regulam o sistema imunológico e neutralizam substâncias inflamatórias no corpo. São indicados para doenças moderadas a graves.
  • Pequenas moléculas: fármacos orais de tecnologia recente que atuam na cascata inflamatória.Em casos de complicações severas (como fístulas, obstruções ou ineficácia dos remédios), o tratamento cirúrgico pode ser indicado.
Hábitos de vida como aliados

A terapia clínica sozinha não faz milagres. Acompanhar a medicação com mudanças no estilo de vida é vital:

  • Cuidado com a alimentação: priorize a estratégia "descasque mais, desembale menos", evitando ultraprocessados, açúcares e excesso de gordura saturada. Consulte um nutricionista para adequar o consumo de fibras (que pode ser restrito se houver estenose, mas benéfico em outros casos).
  • Pare de fumar: o tabagismo piora a inflamação, agrava a Doença de Crohn, prejudica tratamentos e aumenta as chances de cirurgias.
  • Pratique atividade física: o exercício estimula o sistema imune de forma positiva, controla o peso, reduz o estresse e traz impacto benéfico na flora intestinal.

Este artigo tem caráter puramente informativo e não substitui a consulta com um médico especialista.

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