Saúde mental em tempos de pandemia: como está a sua?
Em 11 de março de 2020, a Organização Mundial de Saúde (OMS) declarou a Pandemia de COVID-19. Hoje, passados aproximadamente dois anos, podemos analisar os impactos sobre a saúde mental coletiva.Até a data de produção deste texto, 625 mil brasileiros perderam suas vidaspara a COVID-19 e mais de 24 milhões foram contaminados. Em contrapartida às más notícias, em 17 de janeiro de 2020, iniciamos a aplicação de vacinas contra o novo coronavírus.
Agora, com 70,8%das pessoas totalmente vacinadase com a diminuição de casos graves da doença, a expectativa de saída do quadro pandêmico é elevada. O diretor-geral da OMS, por exemplo, declarou recentemente a possibilidade de saída da fase aguda da pandemia ainda em 2022\.
No entanto, queremos chamar atenção para a crise de saúde mental, pouco reconhecida, agravada pela COVID-19. A previsão de taxas de depressão e ansiedade no Brasil chegam a 61% e 44%, respectivamente. Vamos falar mais sobre isso?
Dados sobre saúde mental pré-pandemia
Uma recente publicação da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) destacou o efeito da pandemia sobre a saúde mental e o bem-estar das populações das Américas.
O relatório, primeiramente, apresentou dados anteriores a março de 2019, evidenciando a situação de risco pré-existente:
- Transtornos depressivos correspondem a 7,8% do total de doenças incapacitantes, seguidos pelos transtornos de ansiedade com 4,9% ;
- Anualmente, cerca de 100 mil pessoas morrem por suicídio na região (2019);
- Existe uma discordância entre o número de pessoas que precisam de cuidados de saúde mental e aquelas que realmente os recebem. No caso dos transtornos por uso de substâncias, essa lacuna chega até 82,2%;
- Apesar da alta demanda, apenas 2% do gasto público total em saúde é destinado à saúde mental;
- Há escassez de profissionais atuantes no campo da saúde mental nas Américas. Existe, em média, 10,3 trabalhadores por 100.000 habitantes (esse número chega a menos de 1 por 100.000 habitantes em países de baixa renda);
- As Américas representam o maior percentual de internações psiquiátricas , comparado a todas as regiões monitoradas pela OMS.
Pandemia de COVID-19 e o impacto na saúde mental
Primeiramente, a pandemia trouxe o sentimento constante de medo da morte e luto. A perda de familiares, amigos e conhecidos já seria, então, por si só um fator de risco para abalos emocionais e psicológicos. Além disso, houve consequências socioeconômicas importantes: aumento significativo nas taxas de desemprego, pobreza, insegurança alimentar e maior vulnerabilidade às violências domésticas.
Com o fechamento das escolas, ainda, muitos cuidadores de crianças tiveram sua rotina totalmente alterada, tendo que lidar com jornadas de trabalho, cuidado e auxílio nos estudos.
Todos esses fatores estressores podem explicar o cenário dos dados abaixo, também publicados no relatório da OPAS:
- Taxas de 61% de prevalência de depressão e 44%, de ansiedade foram apontadas em uma pesquisa brasileira (2020);
- Um outro estudo mostrou que cuidadores de crianças relataram pelo menos um sintoma de deterioração da saúde mental: tristeza (48%), medo (60%) e insônia (59%) ;
- De acordo com uma publicação do Fórum Econômico Mundial, 45% dos adultos relataram que a sua saúde mental e emocional havia se deteriorado ;
- Uma pesquisa nos EUA apontou que 13,3% dos entrevistados iniciaram ou aumentaram o uso de substâncias ilícitas para lidar com o estresse relacionado à COVID-19.
Em outras palavras, se o cenário já era de risco, ele tornou-se ainda maior com a chegada desse fenômeno patológico que afetou todo o mundo.
Por fim, e sua saúde mental, como vai?
Olhamos para os dados e entendemos que as condições impactaram coletivamente a saúde mental de populações no mundo todo e, principalmente, nas Américas.
Mas agora, podemos parar e refletir: como está a sua saúde mental com isso tudo? É importante fazer uma auto-análise, observando seus sentimentos, emoções e comportamentos após a vivência desses dois últimos anos. Então, como você está? Comece notando a qualidade do sono, nível de cansaço e fadiga, possíveis lapsos de atenção, medo, tristeza ou irritabilidade constante.
Também perceba outros sinais fisiológicos, como: sensação de palpitação, cansaço, episódios de pressão alta e diminuição ou aumento de apetite. Caso perceba alterações, procure a ajuda de um especialista e priorize cuidar de sua saúde mental! Quer saber mais? Acesse SOBRE A CAMPANHA JANEIRO BRANCO
- Janeiro Branco \- acesso em 20/01/2022
https://janeirobranco.com.brDADOS ESTATÍSTICOS SOBRE SAÚDE MENTAL
- Organização Pan-Americana da Saúde \- acesso em 28/01/2022
- Strengthening mental health responses to COVID-19 in the Americas: A health policy analysis and recommendations \- acesso em 28/01/2022
https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S2667193X21001149?via%3Dihub
- Early psychological impact of the COVID-19 pandemic in Brazil: a national survey \- acesso em 28/01/2022
https://www.mdpi.com/827648SAÚDE MENTAL NAS EMPRESASEmpresas ampliam programas de bem-estar em meio à preocupação com saúde mental \- acesso em 28/01/2022 https://www.cnnbrasil.com.br/business/sobe-33-o-interesse-das-empresas-em-criar-acoes-de-saude-mental-diz-pesquisa/DADOS RECENTES SOBRE A PANDEMIA DE COVID-19Google Notícias, baseado nas Fontes: Universidade Johns Hopkinse Our World In Data\- acesso em 28/01/2022 https://news.google.com/covid19/map?hl=pt-BR\&mid=%2Fm%2F015fr\&gl=BR\&ceid=BR%3Apt-419