De 68,7% para 14%: o dado que mudou o reajuste técnico
Uma operadora de saúde apresentou um pleito de reajuste técnico de 68,7% para uma empresa do setor de construção civil. A justificativa para o aumento expressivo se baseava na alta sinistralidade acumulada nos últimos meses, atribuída a um suposto aumento estrutural nos custos com casos crônicos. Diante do impacto na fatura, a empresa e a corretora parceira precisavam verificar a composição real daquele número antes de fechar a negociação.
O que os dados mostraram
Em vez de aceitar a planilha resumida fornecida pela operadora, a corretora reprocessou os dados brutos de utilização por meio de uma análise independente. O mapeamento detalhado revelou que o pico de sinistro não vinha de uma tendência permanente da população. O aumento de custos estava concentrado em eventos pontuais e cirúrgicos de alta complexidade que já haviam sido encerrados, sem risco de perpetuação de gastos para o ano seguinte.
O que mudou
Com os dados auditados e a distinção clara entre inflação médica e risco técnico, a corretora rebateu os argumentos na mesa de negociação. Ficou provado que a carteira não apresentava desvio estrutural que justificasse o prêmio de risco cobrado. O reajuste aplicado caiu de 68,7% para 14%, índice equivalente à variação do custo médico-hospitalar (VCMH) do período. A ação manteve o contrato sustentável para a empresa e garantiu a permanência da apólice na carteira da corretora.
Por que isso importa
A sinistralidade apresentada pela operadora inclui tudo o que foi faturado, mas nem todo pico de custo representa uma tendência de longo prazo. Quando a corretora chega para a renovação com a composição do número desmontada, ela deixa de discutir percepções e passa a negociar com evidências. Nem todo número alto na carta de reajuste vira aumento na fatura.