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Do problema ao cuidado: o que o 29º Congresso UNIDAS ensinou sobre gestão em autogestões

•4 min de leitura

De 28 a 30 de outubro, o Recife recebeu o 29º Congresso Internacional UNIDAS, que reuniu lideranças das autogestões em torno do tema "Inovação além dos limites da Saúde Suplementar". Entre painéis de assuntos tão diferentes quanto governança de dados, envelhecimento, inteligência artificial e resolução de conflitos, um fio comum chamou a atenção: a boa decisão em saúde começa por entender o problema e termina no cuidado com a pessoa. Reunimos aqui as ideias mais marcantes, a partir do que a própria UNIDAS divulgou em seus canais.

Comece pelo problema, não pela ferramenta

O presidente do Ipasgo Saúde, Bruno D'Abadia, resumiu um caminho de cinco etapas para as iniciativas nas autogestões: mapear, medir, integrar, governar e evoluir. O ponto de partida, lembrou ele, é identificar o problema de gestão que precisa ser resolvido, e não escolher uma tecnologia antes disso.

A mesma lógica apareceu na fala do diretor-presidente do Pasa, Ricardo Gruba. Para ele, vale partir dos problemas e não dos painéis, escolher poucos indicadores realmente acionáveis, definir quem responde por cada desvio, garantir a participação consistente da liderança e acompanhar ações, e não apenas números. Já a diretora técnica da Abertta Saúde, Amanda de Souza Silva, destacou a importância de comparar a carteira com referências externas e com a sua própria evolução, de dirigir as decisões a grupos, praças, contratos, prestadores e médicos, e de avaliar continuamente os processos clínicos e os resultados, de modo que cada decisão chegue ao cuidado e tenha seu efeito acompanhado.

Nossa leitura: dado bom não é o que enche a tela, é o que ajuda a mantenedora, a Diretoria Executiva e os Conselhos a decidir com segurança e a cobrar o resultado depois.

O cuidado integral é parte da sustentabilidade

O envelhecimento da carteira foi um dos temas mais fortes. A diretora interina de normas e habilitação das operadoras da ANS, Carla de Figueiredo Soares, defendeu que o idoso deixe de ser visto apenas como centro de custo e passe a ser enxergado como uma oportunidade de gerar qualidade de vida e valor, com cuidado que considere a trajetória da pessoa ao longo do tempo, de forma integral e coordenada. O geriatra Marcelo Schapira, do Hospital Italiano de Buenos Aires, foi na mesma direção: olhar a pessoa por inteiro, identificar fatores de risco cedo, preservar a capacidade funcional, revisar a medicação e incentivar atividade física e socialização.

O vice-diretor de planejamento estratégico do mesmo hospital, Leonardo Garfi, falou em um modelo de cuidado sustentável, apoiado em pesquisa, infraestrutura digital e integração entre os níveis de atenção. E o neurocirurgião Eric Jennings trouxe a experiência da Amazônia para lembrar que a visão de saúde precisa considerar o território e valorizar o conhecimento das comunidades.

Nossa leitura: cuidar e controlar custos não são lados opostos. Identificar o risco mais cedo é, ao mesmo tempo, melhor para a pessoa e para o equilíbrio atuarial do plano.

Tecnologia com responsabilidade e conflitos resolvidos com equilíbrio

O historiador Leandro Karnal lembrou que a inteligência artificial reproduz o que circula nas redes e carrega as mesmas falhas éticas dos humanos, e que a tecnologia não elimina a necessidade de estudar, pensar e decidir com responsabilidade. Em outra frente, o professor Fredie Didier, o professor André Dias Pereira, da Universidade de Coimbra, e o presidente da Alami, Cristian Javier Mazza, defenderam que o processo judicial seja o último caminho e que se fortaleçam alternativas mais rápidas e adequadas para resolver conflitos, sem perder de vista os direitos dos pacientes e a sustentabilidade do sistema.

Para fechar o fio, o vice-presidente da UNIDAS e presidente da Postal Saúde, Eli Melo Jr., afirmou que a inovação ultrapassa limites quando há propósito, colaboração e compromisso com as pessoas, e reafirmou o papel da UNIDAS de representar, fortalecer e conectar as autogestões.

Nossa leitura: decisão apoiada por tecnologia continua sendo decisão humana, e dado confiável e transparente também ajuda a evitar o conflito antes de ele nascer.

O que levamos do Recife

Três ideias resumem, para nós, o congresso:

  • Comece pelo problema de gestão, escolha poucos indicadores e tenha responsável para cada desvio.
  • O cuidado integral e o equilíbrio atuarial caminham juntos, principalmente na gestão do envelhecimento da carteira.
  • Tecnologia apoia, pessoas decidem, e a transparência dos dados reduz conflitos.

Na Suridata, trabalhamos para que a Diretoria Executiva, os Conselhos e a Mantenedora das autogestões enxerguem o mesmo dado e decidam com previsibilidade. Se essas ideias fazem sentido para a sua realidade, vamos conversar.


Marque uma conversa com a gente: https://www.suridata.com.br/faleconosco

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